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Dia dos Irmãos

No dia 31 de maio comemora-se o dia dos irmãos. Nada mais apropriado para encerrar o mês de maio – o mês da família e o meu mês – que esta comemoração. De todas as bênçãos que a vida me deu, ter um irmão é das melhores de todas. Mesmo não sabendo, porque nasci depois, ter uma irmã foi o melhor presente que os meus pais me poderiam ter dado em conjunto com o universo ou o que queiram chamar. Ninguém mais entenderá melhor com um olhar de relance o que traduz o meu sorriso, silêncio ou uma careta. Para além do Calvin & Hobbes, só a minha irmã sabe que vivem crocodilos de baixo das nossas camas e que a distancia que separa as nossas camas é um desfiladeiro mais perigoso que o Grand Canyon! Conhecer bem outra pessoa e deixar que a minha irmã me conheça bem, faz com que ela tenha acesso a viver em mim e dentro da minha cabeça. Pode ser assustador, é verdade… mas só ela saberá o que vou dizer mesmo antes de verbalizar, só ela vai rir de parvoíces que mais ninguém acha graça, só ela ...

Cuidar

Nascer para cuidar, pode muito bem ser a mais nobre das missões de vida que se pode ter. Talvez todos a tenhamos pela condição da humanidade, ainda que alguns a rejeitem pelo egoísmo ou pelo infundado argumento de falta de jeito. Quando cuidamos dos outros aprendemos a cuidar de nós ou quando cuidamos de nós aprendemos a cuidar dos outros, estão intrinsecamente ligados, quer me parecer. O bem maior que nos dão, a nossa vida, cabe-nos o dever de cuidar dela em qualquer etapa, é o nosso bem mais precioso. Não é um dado adquirido, mesmo que alguns julguem que é, existe todo um percurso que a nossa vida cumpre e que nos cabe valorizar, independentemente das alegrias ou tristezas. Durante a vida cuidam de nós ao nascer, a nossa mãe, o nosso pai, as avós, os avôs, os irmãos, os primos, as tias, os amigos ou até os vizinhos. Somos cuidados desde sempre, é para isso que existe a família, para solidificar os laços do amor e cuidado que devemos ter entre os nossos. Quando cuidamos nã...

Feliz Natal

Posso ter saudades do que já vivi, posso ter saudades do que já passou mas tenho seguramente sempre muitas saudades dos meus avós. Fazem-me falta, todos os natais. De tudo, é no natal que sinto mais falta deles.Também tenho saudades de ser criança e de sentir a excitação típica desta época, o pai natal, a magia, os cheiros, os doces, a casa cheia, os meus primos, as maratonas de desenhos animados e a lareira acesa bem quente a deixar-nos a bochechas a escaldar.  Tudo muda, a família transforma-se, uns ficam e outros vão mas o essencial nunca se perde, não por ser natal, mas também por isso juntamo-nos para celebrar, para nos relembrarmos de onde viemos e porque estamos aqui. Somos destas pessoas e estamos aqui para elas. É mais o que nos une, do que todas as demais contrariedades.  Por isso, por ser natal agora e na prática quando se quiser, não devemos perder a oportunidade de abraçar quem amamos ou de dizer gosto de ti ou um simples adoro-te.  Se no re...

Avó Rosa

Quis o destino que a minha avó Rosa partisse hoje. A minha avó faz e fará sempre parte do legado de grandes mulheres que tenho tido o prazer de ter na minha vida. Apesar do seu mau feitio, génio e defeitos bem vincados que tinha, foi o pilar da nossa família sempre, papel do qual nunca de demitiu e que sempre cumpriu com zelo e dedicação.  Acima de tudo, a minha avó foi uma mulher que nunca baixou os braços para que as pessoas próximas tivessem ajuda no que fosse necessário. Não foi apenas o dinheiro que cedeu, foram acima de tudo os seus braços e o corpo que estiveram sempre disponíveis para acolher os que diversas vezes vieram ao seu socorro. Esteve sempre lá na febre alta, no portão do colégio, na praia, nos aniversários, festas e natal, a passar e lavar roupa como se o mundo acabasse amanhã se não o fizesse, a fazer os almoços entre aulas, as costeletas com pimentão e tudo o que cozinhava com mão de ouro, a enfiar os sabonetes de feno de Portugal no meio dos lençóis, n...

Reflexão sobre o Testamento Vital...

Falando de coisas sérias. No principio do mês saiu a noticia sobre o testamento vital, podem ler o artigo do expresso: http://expresso.sapo.pt/quer-fazer-o-seu-testamento-vital-saiba-quais-sao-as-regras=f878653 . A minha primeira reação foi: que boa medida! Posso optar e deixar escrito o que pretendo para mim em caso de fatalidade, dão-me esta opção e assim poupar a família a decisões difíceis e traumatizantes. “Quanto aos tratamentos sobre os quais se pronunciam, os cidadãos podem recusar os seguintes: reanimação cardiorrespiratória, meios invasivos de suporte artificial de funções vitais, medidas de alimentação e hidratação artificiais apenas para retardar o processo natural de morte e estudos em fase experimental.” Diz o artigo. Os médicos terão sempre de atuar de acordo com a sua ética e ao mesmo tempo respeitar a decisão do paciente, que fica expressa neste testamento. Tudo muito bonito até aqui. E depois dei por mim a pensar…eu tenho um seguro de vida, em caso de m...