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Anjo da Guarda

#3 O número 3 é associado à criatividade e expressão. Nas questões espirituais o três é visto como a união entre a mente, o corpo e o espírito resultando assim no equilíbrio que todos queremos para as nossas vidas. O três pede-nos que aceitemos a nossa criatividade sem medo de expressá-la, também nos diz que a comunicação pode acontecer naturalmente e sem esforço. De uma maneira ou de outra, temos de usar isso a nosso favor, criando aliados e uma base forte para transformar as ideias em realidade. O três é um convite para nos abrirmos para o mundo e aceitar que essa é a nossa missão. Faz três anos hoje que recebi a notícia que iria começar a escrever semanalmente no 7HINK. Faz três anos que morreu a minha avó, umas das pessoas mais importantes da minha vida. Faz hoje três anos que tudo isto aconteceu, no mesmo dia e quase na mesma hora. Por isso, faz três anos que ganhei mais um anjo da guarda, o terceiro. As coincidências ficam aquém de si próprias, os significados não pod...

Já podemos fechar o ano?

Este ano, está a tornar-se muito estranho. Ainda não consegui encontrar o nome ou definição para as pessoas que estão, são ou ficam órfãs de avós. Só me resta uma avó, que lá se vai mantendo viva a esforço. Não se pode exigir muito mais quando se chega aos 93 anos numa situação débil. Mas ela é rija, feita de fibra das serras da beira baixa, com ela a máxima é: “antes morrer que torcer” e lá se vai mantendo. O problema é que eu tive a sorte de ter nascido e ter comigo os meus 4 avós. Sempre tive imensa pena das pessoas que me diziam: não conheci os meus avós ou só tenho uma avó ou um avô. Coitados, que infelicidade! As pessoas não sabem, como é normal… se nunca tiveram, como vão saber? Podem imaginar ou ouvir com entusiasmo as histórias dos que têm, mas não sentem como seu. Agora sinto que está a chegar o fim do fim…e é um misto de sensações entre: tristeza e gratidão. Eu fui uma privilegiada, bem sei. Primeiro morreu o pai da minha mãe, depois o pai do meu pai, este a...

Cinzas

Somos do sítio onde nascemos e de todos os outros que se entranham na alma.  Somos do sítio das origens dos nossos antepassados, somos de muitos trilhos e caminhos que definem a nossa génese. Somos do mundo, de Portugal e de algum pedaço de terra perdido no mapa.  Uma parte de mim vem também do pinhal que agora ardeu (e de todos os outros que arderam anteriormente) das montanhas e vales de Pedrogão Grande, das serras vizinhas, da cordilheira central, das curvas e caminhos de pó, da floresta densa e de todo um conjunto de cheiros que só a natureza daquele sítio tem.  Há coisas que só se sentem naquelas serras. Há coisas que só se vivem ali. Há um tempo fora do tempo, que pertence a esta floresta única. Cresci com os pinheiros, com os incêndios, com a chegada dos eucaliptos, com o calor de rachar no verão, com o frio de congelar no inverno, com amigos e histórias únicas vividas ali.   Tenho um amor imenso por estas terras: pela história da minha famíli...

Ausências naturais

Coisas avulso em que se pensa, é disso que se trata. Num dos percursos que faço a caminho do trabalho, passo ao lado do cemitério de Benfica. Numa dessas deslocações dei por mim a pensar: é ali que está o meu tio. É uma coisa estranha de se dizer, parece que mora ali ou está ali internado… Este pensamento soou-me mal. Desconexo e descontextualizado, soou-me mesmo muito muito mal.  Ele não está ali, o corpo dele é que foi enterrado naquele local. Ele efetivamente partiu no dia em que morreu, não está ali naquele local especifico, deixou de estar nos sítios que eram dele. Estas ausências são diferentes das outras ausências. Os outros estão ali, aqui ou num local concreto, existem neste espaço físico e num tempo concreto são materializáveis. Só estão ausentes por um motivo que se entende ou não, mas têm um corpo que permite coloca-los em locais reais onde estão. Se quisermos falar ou estar com eles, estão ali podemos falar, podemos encontrar-nos ou cruzar-nos, não exist...

Para o meu avô

O meu avô faria hoje 90 anos. Não gosto de usar o verbo nesta forma: "faria" mas parece que é assim que tem de ser, quando a presença física de uma pessoa parte para outra dimensão. Porque hoje faria 90 anos, dei por mim a pensar que já vivi mais tempo sem o meu avô do que com ele. Mas por outro lado, a proporção do tempo não condiciona em nada, o meu afecto por ele, a intensidade do que vivemos, a saudade ou a nossa história comum. Tenho pena que não tenha sido mais tempo e não que tenha sido pouco, o que é substancialmente diferente. O pouco foi bom, cresceu comigo e alimenta-me todos os dias. Podemos viver intensamente em 24h o que nunca viveremos em alguns anos, algumas coisas são assim. Vivi treze anos da minha vida com o meu avô e até agora vinte e dois sem ele... é muito. Mas as contas não podem ser feitas assim, tão certas com o ritmo da vida, porque na nossa vida passam pessoas que simplesmnente passam e outras permanecem, ambas com relevâncias diferentes, e o ...