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A mostrar mensagens com a etiqueta coragem

O vício do sofrimento

Viver é uma coisa que dá muito trabalho. Não existem propriamente momentos calmos ou mortos, estamos em testes permanentes e desafios que se vão sucedendo. Podemos escolher ignorá-los, mas vamos acabar por ter de passar por eles, a bem ou a mal. A parte mágica disto tudo é que cada vez que superamos um desafio ou um obstáculo sentimo-nos ainda mais vivos e com uma prova maior da nossa própria capacidade de sobrevivência. Não é fácil estarmos sempre nesta incógnita do que o futuro nos reserva, o que nos deveria fazer pensar que afinal, não temos de saber ao certo o que ai virá, mas precisamos preparar-nos para o que vier, toda e qualquer preparação acontece no presente. E se não temos forma de adivinhar o futuro, temos o dever de nos concentrarmos no agora, essa é sempre a melhor solução. Independentemente dos desafios que cada um de nós terá, somos livres para escolher o tipo de vida que queremos viver. Nem vale a pena recorrer ao argumento já gasto e bem gasto, da herança gené...

Desistir

Não vou escrever sobre o que é desistir de fazer uma prova ou entrar numa competição. A competição é tema que pouco me interessa… Este desistir é um pouco diferente, é aquele que se sente quando a exaustão e o desgaste absoluto nos consome. Quando se vivem situações limites, exigentes, onde temos de estar presentes sempre a 100%   chega o dia em que se torna impossível manter o ritmo ou até continuar a acompanhar neste registo. Num momento qualquer, começamos a ceder. O corpo deixa de conseguir acompanhar o compasso, começamos a fraquejar, deixamos de ter coragem, o cansaço começa a vencer-nos e é natural, não somos super-homens, temos limites e o corpo é uma máquina perfeita que nos dá todos os sinais sobre isso. Conseguimos aceitar com alguma facilidade esta necessidade de descanso se estivermos a esticar a corda com trabalho, algum projeto em que estivermos envolvidos ou borgas em excesso, não conseguimos fazer o mesmo quando este desgaste se dá quando tomamos conta de a...

Abre os olhos

Então, fecha os olhos, e o que sentes? A respiração quente, nervosa, descompensada. O coração que bate, bate, bate acelerado. Sentes a proximidade, não estás só. Mas não abres os olhos, não abras! Pode não ser verdade, pode não estar a acontecer. Enquanto estiveres no conforto da escuridão, fica tudo guardado nesse tempo, nesse momento. Um único instante solitário, teu. Dentro da cabeça amontoam-se memórias, lembranças, medos. Não abras os olhos! Se fizeres de conta que não sabes que os tens de abrir, não precisas abri-los. A música, a banda sonora toca. Tens música para todos os cenários. Dentro de ti toca, aquela que queres sempre ouvir, que toca só para ti e por ti. Com os olhos fechados não vês a água que começa a acumular e que te vai escorrer pela cara. Deixa, não abras os olhos! É aquela voz ao longe, as palavras sussurradas, escritas, pensadas, não ditas, essas todas sabe-las de cor. Vivem dentro de ti, nunca as tinhas ouvido noutra voz. Tão irreal. Não...

Morremos de pé.

Morremos de pé. Onde antes o verde dominava, sobrou pó e cinzas. A cor deu lugar ao preto e branco. Onde antes fomos felizes reina agora a tristeza e a melancolia. Não sobrou nada. Não ficou nada de pé. Uma a uma, todas a sombras e árvores de frutos morreram. Ali no sitio onde nos encostávamos para ouvir as árvores e os pássaros, corre agora um vento sujo e sem música. No cantinho onde sonhávamos debaixo do vento quente e do bom sol de verão, ficaram apenas as memórias. Resto eu, de olhos fechados a sentir o cheiro do pinhal. O cheiro da floresta e do mato. Os cheiros que os meus avós trilharam, os pinheiros que o meu avô sangrou, os caminhos que percorremos a pé. Uma herança genética que nos complementa e que nos pertence. O fogo não teve clemência de nada nem de ninguém. Seguiu encosta acima sem parar, colheu tudo o que apareceu à frente. Devorou e destrui tudo. Não deixou nada intacto. Semeou o medo e a tristeza na alma das pessoas. Os de lá e os de cá. Os...

Perdão

Saber perdoar e pedir desculpa, é muito mais do que simplesmente pedir perdão e desculpa. Não é esperar que a ocorrência se dê para pedirmos perdão. Não é esperar sermos incorretos ou mal educados para pedirmos desculpa. Não é fazermos mal, e pedirmos perdão, na certeza que seremos desculpados. Não devemos gastar as palavras pela utilidade que têm. Devemos senti-las, cada vez que as aplicamos. Desculpa sim, com sentido, com sentimento com emoção. Com a responsabilidade de reconhecermos que errámos. Com o comprometimento de quem sabe que falhou. Não é dizê-lo da boca para fora. É um acto de coragem. É um acto de amor. É entregar, aceitar, compreender. Perdoa-me por não retribuir com a mesma entrega. Perdoa-me por não saber dar-me. Perdoa-me por silenciar o vulcão que vive dentro de mim. Perdoa-me por não saber dizer as coisas como elas são. Perdoa por não estar ai para te abraçar. Perdoa-me por não te beijar quando quero. Perdoa-me por ser bruta e in...

Viver o presente!

Era uma vez. Sei que já escrevi várias vezes sobre este tema mas volto a insistir nele. De tempos em tempos, precisamos recuperar a esperança na vida, nas situações ou na humanidade. Dito assim parece muito, mas são pequenas histórias e detalhes que podem fazer toda a diferença e que podem salvar o dia, o mês ou até uma vida (em casos mais extremos). Os milagres acontecem, as histórias dos filmes acontecem, os inesperados bons acontecem… Nós sabemos isto, lá bem no fundo, sabemos disto. Mas quando as circunstâncias endurecem, fechamo-nos no fundo do poço e optamos por ver tudo com pessimismo, com dureza, tornando uma situação difícil num calvário. Para algumas pessoas, esta técnica resulta durante um tempo, criam a ilusão que estão resguardados de todas as maldades que ainda lhes poderão cair em cima, e assim vão desaparecendo sem deixar rasto. A pergunta que eu faço é: nasce vida nos buracos escuros? Podem dizer-me, sim nasce. E que espécie de vida? No fundo do mar, sabemos...

Até à lua...

Aquele momento em que te ligam de madrugada e percebes que ias ter com aquela pessoa nem que estivesse na Mongólia.  Mas não vais, ficas ali. Imóvel. Campainhas, soam campainhas. O sono atrasa-se para o dia a seguir. Na realidade nem pensas em nada. Ficas só, de olhos abertos a pensar se tiveste coragem porque disseste que não ou porque não disseste que sim. Querias ir. E irias. Mas não tens autorização para isso. Há que respeitar as regras. As coisas são como são. E tu aceitaste, assumiste como provisório. E era.  O teu caminho era outro. Ficou o aviso que irias partir, quando esse momento chegasse. Sem olhar para trás. E foram chegando várias ameaças que estaria para breve. Não aconteceram. Não estava destinado. Não resultou, não quiseste. Estes cenários só funcionam nos filmes ou quando nos dão autorização para isso. Não tens autorização. Não vais dizer que queres mais a quem não vai alinhar. Estas manifestações são noutras histórias. Filmes e coisas qu...

Fragmentos

De tudo o que guardo em mim, isto é talvez o pior, o mais difícil de ocultar. É um esforço que me ultrapassa que me queima por dentro. Queria gritar, bem alto para todos ouvirem... para eu própria ouvir: é amor.  Acredita que é amor! Não queria esconder, mas não sei ser de outra forma. Tenho medo. O silêncio é a minha defesa. Se eu não souber mais ninguém sabe. Se eu não disser mais ninguém ouve. Se não partilhar é como se não existisse... Inspiro. Inspiro. Expiro. Não sai. Fica lá, agarrado as entranhas, como se afirmasse: dai não saio e daqui ninguém me tira. E não sai, não morre, cresce, ilude-se, emociona-se, duvida... Colado nas paredes da pele e dos ossos, que o extraem das células como o néctar divino. Todos desejam o que tu tens. O que julgas ter, o que tens medo de sentir. E tu que fazes? Não crês.. . Não queres crer... Nem ver, nem sentir, nem cheirar, nem lembrar, nem esperar muito mais... Tu queres isso tudo. Não sabes como... És inc...

Roma e Pavia não se fizeram num dia!

Diz o ditado! Quando uma pessoa se predispõe a fazer dieta, sabe de antemão, que a coisa vai doer! Custa só de imaginar que vamos passar fome. Claro que o passar fome é relativo, porque não passamos fome ao ponto de se tornar intolerável. Passamos a racionar a comida e o corpo habituado a comer tudo e mais alguma coisa, fica baralhado com a ausência dos pequenos, médios e gigantes devaneios de degustação. Aprendemos truques sobre os alimentos, o que não misturar, o que não comer de todo, os horários, as porções e assim ficamos a saber como corrigir um devaneio gigantesco, como o natal, por exemplo. Entretanto o corpo vai-se moldando ao novo regime. Costumo dizer que engordo só de pensar! A sério, é dramático… só de sonhar com as bolas de Berlim da praia acordo com mais um quilo. Mas já o disse várias vezes e reafirmo, uma das qualidades mais fantásticas no ser humano é a capacidade de adaptação, por isso… pode demorar dias, semanas ou meses mas o corpo, a nossa vonta...

Distância de Segurança

Vamos manter-nos assim. Tu aí e eu aqui. Criámos fronteiras de coisas, barreiras de rotinas e normalidades e mais algum lixo da vida real. O tempo que não se tem para se fazer tudo o que se precisa como pretexto para não continuar a fazê-lo. E eu gosto de tempo… de ter muito tempo para dispor dele como entender. Para me dispor a sentir o tempo como deve de ser. A vida é feita de contrastes, sou a primeira a cumprir a regras. Sigo uma linha condutora imaginária que me alinha o caminho mas que nem sempre me alinha o espírito (quase nunca me alinha o espírito). Gosto da supressão das bermas, quando me esbarro com estes sinais na estrada, sei sempre que são para mim. Mantém-te aí em linha com o caminho, como se a berma não pudesse ser uma alternativa. Quem disse que o certo é o a direito ou em linha reta? E ficamos assim, eu aqui e tu aí. Assustam-me os efeitos secundários todos, aqueles que desconheço e os que sei que acontecem quase sempre. As coisas que não se controlam...

"O Caminho faz-se Caminhando"*

Eu enfrento, sempre enfrentei… para o bem e para o mal. Mas hoje, quero fugir, fugir e fugir. Para longe, para o desconhecido, para o inexplorável, sem corda, sem roupa, sem segurança, sem nada. Seja o que for, hei-de enfrentar. Já venci dragões, monstros de baixo da cama, aves de rapina, escarpas ingremes, buracos de lodo e nunca olhei para trás. Segui em frente, recompus-me, mudei de faixa de rodagem e continuei o caminho. Umas vezes sozinha, outras acompanhada, umas  vezes às escuras, outras encadeadas pela luz, com frio e com calor… fui e enfrentei. Não quero ficar para ver a montanha cair, nem assistir na primeira fila ao tsunami que se avista. O mar vai abrir-se e eu quero passar pelo meio e chegar sã e salva à outra margem, com coragem e determinação. Se tiver de nadar, nado, mas garanto que nunca me irei afogar. A única coisa que alguma vez me irá afogar é o amor todo que tenho dentro de mim para dar, solto, avulso para quem o merecer, sem retorno, para quem o ...

E o que é que acontece se a resposta for não?

Um não, não é assim tão diferente de um sim, bem vistas as coisas. O otimismo que exigem que tenhamos é que nos impele a achar que só o sim nos poderá salvar e nos trará a felicidade, mas por vezes um não é bem mais libertador que um sim. Quantas vezes não temos vontade de responder não, à pergunta: Gostas de mim? – Não… e não é por mal… mas não temos de gostar de toda a gente só porque é politicamente correto. E posso não gostar apenas porque não tenho afinidade, porque a pessoa não é educada ou não é simpática ou apenas porque é uma pessoa que não cria empatia connosco e isso não quer dizer que não seja uma pessoa especial… só não é para mim. A verdade é dura, mas por vezes é a única viável para marcarmos uma posição, acima de tudo, uma verdade é sempre melhor que uma mentira. E quantas vezes precisamos receber um não para valorizarmos o que conquistamos? Não obrigado. Tem habilitações a mais, não gostamos da proposta, não pode ser agora, não hoje, não amanhã, não agora,...

O Soma dos Dias

Isto podia começar assim: fecha os olhos e salta! E alguns dias são assim, saltos de fé. Mas eu sou uma pessoa racional…e alguns dias salto e outros não, e outros dias preciso que me empurrem! Será que o eclipse influencia diretamente as pessoas? Bem…as luas influenciam as marés e de certeza influenciarão as pessoas também. Traduz-se em acabar com: vícios, hábitos, velhos padrões emocionais, dependências....tudo e tudo o que não nos ajuda a evoluir…o que nos cria raízes e nos impede de ir mais além. É isso? E penso, penso, penso, penso… porque as coisas têm todas de ter uma explicação, mesmo que seja inexplicável, tenho de chegar lá. Algumas pessoas constroem puzzles, eu agrupo ideias, situações, momentos, coisas… e depois pego em tudo e vejo como se encaixa, porque lá no fundo preciso de uma direção, uma ordem, a minha ordem. Umas vezes bastam as estrelas para guiar ou até lua, outras vezes não… E pensar pode ser bom como também pode ser mau, por isso não salto! Os da...

Decisões e outras coisas importantes

No meu caderninho crescem, notas, reflexões, mantras… o que lhes quiserem chamar. A um mês do arranque do meu ano, acho que posso fazer um balanço sobre uma série de decisões que são importantes. Valem o que valem, são no fundo reflexões sobre o que foi e o que poderá vir a ser, uma espécie de wishlist, sem validade…mas que se pode atualizar em permanência, no fundo como a nossa vida. Se o caminho não for aquele, há sempre uma rota alternativa… porque na pratica nunca existem caminhos errados, são escolhas que refletem o momento e como tal, são as corretas naquele contexto. Existem sempre outras opções… dependem da nossa vontade e capacidade para mudar. Assim: Não perder tempo com preocupações desnecessárias. Aprender a aceitar que algumas pessoas não são para ficar. Quero que subam ao Himalaias por mim, eu vou estar do outro lado à espera... Não é a minha boa vontade, simpatia ou diplomacia que irá fazer as pessoas mudarem de atitude… cada um é como é. Tolerância, sem...