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Perpetuar a memória

Estava hesitante se deveria escrever este texto, hoje e por ser hoje. Entretanto depois de refletir bem sobre o tema, não só conclui que devo como é essencial que o faça.  A memória das pessoas que amamos ficará sempre viva enquanto houver quem se recorde. E eu quero recordar a minha avó, hoje e sempre. Enquanto eu me lembrar dela e registar isso, ela vai continuar a alimentar o meu imaginário e a reconfortar a minha alma. Vai viver algures neste espaço em que eu vivo, outros irão ler o que escrevo sobre ela e recordá-la ou simplesmente imaginar e sentir a ligação que existe entre nós. É uma ligação perpetua, nunca existirá um verbo no passado entre nós. Por isso é com sentido de missão que escrevo este texto, hoje e sempre que me apetecer escrever sobre a minha avó. Não é doloroso escrever sobre ela, ainda que me inundem as saudades, é o conforto do amor que me faz escrever, falar ou pensar nela. Hoje faz dois anos que ela morreu e esse sim, foi um dos dias mais triste...

A 2 de outro 2

O número 2 é especial, sim sou tendenciosa, paciência! O 2 é o meu número, estamos a 2 meses do meu 2, só por isso vale a pena assinalar a data. Também já disse várias vezes, detesto o mês de março. Comecei a odiá-lo precisamente no dia 2, o que não deixa de ser curioso. Na altura, o impacto de uma perda maior e dolorosa fez com que março representasse o fim da fé em Deus, e portanto, toda a benevolência que pudesse ter com esta temática deixou de existir. Arrumei tudo num caixote do lixo: março, Deus, fé…tudo. Mas março, tem sido persistente na tentativa de reverter este nosso desentendimento e está a deixar que janeiro tome conta do pódio.  Também já reciclei tudo o que tinha mandado para o lixo, exceto março, lá está. É o ultimo ponto da lista, a aguardar a reconversão do mau em bom. E que trabalheira que isto me está a dar, quando acho que estou a conseguir, acontece alguma coisa que me relembra porque nos incompatibilizamos na primeira volta! Gosto que a hora mud...