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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta medo

Abraçar

As interrupções abruptas não são bem-vindas, mesmo quando são necessárias. Nunca são fáceis ou ligeiras. Num momento está tudo normal e é assim que se espera que continue mas de um momento para o outro tudo pode mudar e isso nunca foi tão real como agora. Já tinha sentido esse choque quando mudei de escola e passei do colégio para a secundária. Já tinha sentido a violência de uma interrupção abrupta e permanente, quando o meu avô morreu, algures naqueles primeiros dias do mês de março e mais tarde nesse ano quando partiu também o meu outro avô. Alguns anos nem deveriam fazer parte do calendário. Todos os dias morrem pessoas, dizem… mas não a mim, a mim até então não tinha morrido ninguém de importância extrema. Com o passar do tempo habituamo-nos e conformamo-nos com esta realidade, não se pode fazer nada. Aceita-se com maior naturalidade quando temos mais idade e quando se percebe que o fim é inevitável e o fim do sofrimento também, como foi no caso das minhas avós. Não é fácil ma...

Escrever o que não se diz

Escrever pelo melhor e pelo pior que se pode dizer. Quando não se consegue verbalizar diretamente o quer que seja, escrever aparece como a alternativa viável. A linguagem verbal é mais imediata e directa, mas perde alguma informação. Com a rapidez do momento, não conseguimos partilhar tudo ou partilhamos da forma incorrecta ou pouco eficaz. Não que ache que tenha de existir alguma preparação prévia, mas quase sempre existe. Pensamos com alguma antecedência o que queremos dizer, não queremos perder a oportunidade. Mesmo sem grande preparação para uma conversa importante, esquematizamos mentalmente o que vamos dizer ou o que queremos dizer. Não se podem desperdiçar palavras. Quando se escreve podemos acrescentar e tirar informação na mensagem, podemos escolher palavras e a forma mais correcta de dizer o que queremos. Podemos pensar e repensar, conteúdos e formas. Podemos dispor tudo ao nosso gosto. Enviamos a mensagem quando e como queremos. Ao falarmos estamos a ouvir-n...

Desencontros

Somos vidas e espaços temporais trocados. Quando um parte para ocidente o outro caminha para oriente. Fogo e água, terra e ar, estrelas e pó tudo num só. De todas as vezes em que acredito que estamos a ganhar consistência, tornamo-nos líquidos ou evaporamos. Mesmo quando os nossos mapas astrais se encontram, mudam as luas, giram os planetas e volta tudo ao principio. Nem com encontros marcados, os imprevistos das agendas sucedem-se e estendem-se para além das 24h do dia. Parece impossível! Tantos desencontros para duas pessoas que se encontraram do nada. Circunstâncias improváveis que geraram um acaso. Nunca se teriam cruzado sem o advento da modernidade, sem que a abençoada tecnologia não existisse. Encontraram-se e quiseram-se, como experiência cientifica que se testa vezes sem conta até se descobrir a solução. O milagre da vida com amor e do amor com vida. Não encontram agora a cura para os sucessivos desencontros. Que desperdício! Falam e não se veem. Ouvem-se mas ...

Fragmentos

De tudo o que guardo em mim, isto é talvez o pior, o mais difícil de ocultar. É um esforço que me ultrapassa que me queima por dentro. Queria gritar, bem alto para todos ouvirem... para eu própria ouvir: é amor.  Acredita que é amor! Não queria esconder, mas não sei ser de outra forma. Tenho medo. O silêncio é a minha defesa. Se eu não souber mais ninguém sabe. Se eu não disser mais ninguém ouve. Se não partilhar é como se não existisse... Inspiro. Inspiro. Expiro. Não sai. Fica lá, agarrado as entranhas, como se afirmasse: dai não saio e daqui ninguém me tira. E não sai, não morre, cresce, ilude-se, emociona-se, duvida... Colado nas paredes da pele e dos ossos, que o extraem das células como o néctar divino. Todos desejam o que tu tens. O que julgas ter, o que tens medo de sentir. E tu que fazes? Não crês.. . Não queres crer... Nem ver, nem sentir, nem cheirar, nem lembrar, nem esperar muito mais... Tu queres isso tudo. Não sabes como... És inc...

Memória curta!

O tema recorrente. Que país é este que enaltece os agentes do fisco, pelo bom trabalho na “luta” pela evasão fiscal cega do sistema? Os cobradores de fraque do estado são os funcionários do ano, concluo eu, que serão aqueles que salvam vidas! São  eles que respondem aos apelos do 112, que estão num bloco operatório horas a fio, que se levantam às 5 da manhã para ir limpar escritórios, que apagam incêndios, que cuidam de idosos, que ensinam as crianças, que recolhem animais abandonados, que distribuem comida pelos sem abrigo, que cuidam dos doentes em estado terminal…os heróis dos nossos dias são os cobradores de fraque. Não que as pessoas não trabalhem bem nas suas funções e que não mereçam ser recompensadas. Concordo plenamente, mas parece-me vergonhoso que no contexto do estado, uns sejam funcionários de primeira e outros de segunda. E que uns mantenham cortes, não tenham aumentos nem prémios e outros sejam beneficiados apenas porque cobram bem impostos. Impostos est...

O Soma dos Dias

Isto podia começar assim: fecha os olhos e salta! E alguns dias são assim, saltos de fé. Mas eu sou uma pessoa racional…e alguns dias salto e outros não, e outros dias preciso que me empurrem! Será que o eclipse influencia diretamente as pessoas? Bem…as luas influenciam as marés e de certeza influenciarão as pessoas também. Traduz-se em acabar com: vícios, hábitos, velhos padrões emocionais, dependências....tudo e tudo o que não nos ajuda a evoluir…o que nos cria raízes e nos impede de ir mais além. É isso? E penso, penso, penso, penso… porque as coisas têm todas de ter uma explicação, mesmo que seja inexplicável, tenho de chegar lá. Algumas pessoas constroem puzzles, eu agrupo ideias, situações, momentos, coisas… e depois pego em tudo e vejo como se encaixa, porque lá no fundo preciso de uma direção, uma ordem, a minha ordem. Umas vezes bastam as estrelas para guiar ou até lua, outras vezes não… E pensar pode ser bom como também pode ser mau, por isso não salto! Os da...

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga!

Não sei como funciona com o resto das pessoas, mas eu quando abuso o meu corpo arranja maneira de me dizer: basta! E foi isso que aconteceu… uma mega gripe, para ver se recupero o sono todo que não tenho dormido e uma bela crise de fígado para reajustar hábitos! Quando não se aprende a bem, aprende-se a mal. Achei que era importante falar sobre isto, porque quando se partilham experiências, normalmente descobre-se que não é um problema exclusivo ou uma coisa só nossa. Comigo funciona assim, eu sou do tipo de pessoa que acumula tudo muitas vezes sem exteriorizar… é defeito e feitio. E como 2013 tem sido um ano rico em situações complicadas, eu deixo para depois sentir na pele os efeitos diretos, porque no imediato tenho de agir para resolver, fica para mais tarde chorar ou rir se tiver de ser. Depois dá-se o colapso… Desta vez até foi ligeiro, mas não deixa de ser um aviso. No ano em que terminei o mestrado ai sim, os avisos foram marcantes. Quando a ansiedade se descontrola, tudo ...