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Desencontros

Somos vidas e espaços temporais trocados. Quando um parte para ocidente o outro caminha para oriente. Fogo e água, terra e ar, estrelas e pó tudo num só. De todas as vezes em que acredito que estamos a ganhar consistência, tornamo-nos líquidos ou evaporamos. Mesmo quando os nossos mapas astrais se encontram, mudam as luas, giram os planetas e volta tudo ao principio. Nem com encontros marcados, os imprevistos das agendas sucedem-se e estendem-se para além das 24h do dia. Parece impossível! Tantos desencontros para duas pessoas que se encontraram do nada. Circunstâncias improváveis que geraram um acaso. Nunca se teriam cruzado sem o advento da modernidade, sem que a abençoada tecnologia não existisse. Encontraram-se e quiseram-se, como experiência cientifica que se testa vezes sem conta até se descobrir a solução. O milagre da vida com amor e do amor com vida. Não encontram agora a cura para os sucessivos desencontros. Que desperdício! Falam e não se veem. Ouvem-se mas ...

Jet-lag

  Quando eu quero, tu não queres. Quando eu posso, tu não podes. Ás vezes queremos mas estamos em pontos opostos do mapa, ou a rotina ou os compromissos. Nem em sonhos nos encontramos, porque acordo cedo e deito-me tarde, porque dormes pouco e não se consegue nada com pouco tempo a sonhar. Porque sonho acordada e tu não. Sou demasiado racional para libertar coisas. Mas parece que este é um problema da sociedade actual. Felizmente ou infelizmente, não é exclusivamente meu ou nosso. As pessoas deixaram de saber relacionar-se. Deixaram de acreditar em milagres, magia, amor e algum romantismo. O fim das cartas por correio assinala a morte prematura destas coisas todas. Deixou de se saber esperar, deixou de se acreditar… do conhecer com tempo e com disponibilidade. O de estar só por estar. Saber esperar por um telefonema, por uma carta, por que nos batessem à porta. Encontros marcados com semanas de antecedência, sem hipótese de desmarcar e sem querer desmarcar. Ansiedade q...

Desencontros

São confusos e desorganizam o sistema. Entendo. Acontecem. Mas não são pacíficos. As dúvidas do que é. É ter certa uma expectativa que não se concretiza? É não lidar bem com planos mal planeados? É achar que o denominador comum nos desencontros do mundo, sou eu e apenas eu. Tudo o que muito se quer, desencontra-se de mim. Mesmo que tente contornar a realidade, as histórias, os desencontros parecem inevitáveis. Sempre. O regresso do dramatismo profundo. Que não gosto, mas é quase inevitável. Maldita lua em peixes. As dores da alma saltam quando menos se espera. Dizem, que nos faz crescer, que nos fortalece. Cada um tem de fazer a sua parte. Depois passa e as ideias reorganizam-se. A origem identifica-se, tralha que estorva o caminho. Os calcanhares de Aquiles mal arrumados. É uma tormenta que esmaga. Dói por dentro. Dói e dói a sério. Queima a agonia.  O denominador comum, eu. Falha inevitavelmente porque sou eu. Não mereço mais do que isto. Os outros veem isso....