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Os inconformados

Não se pode negar que existe um fascínio que ultrapassa a compreensão nos inconformados e no inconformismo de um modo geral. O não aceitar as coisas como são, só pelo facto de serem como são. É querer mais do que aquilo que se vê e do que aquilo que está percetível a todos. O querer aqui, não é um querer de ter como quem acumula coisas de que não precisa, é um pensar estruturado e estruturante sobre questões fundamentais da vida porque não são claras ou deixam margem para muitos pontos de interrogação. É um pensar denso que procura descortinar todos os meandros das questões, que não se fica pela rama ou pelo óbvio que mergulha em profundidades que nem sempre conseguimos compreender. Os porquês que precisam de uma causa e de um efeito, tudo tem uma explicação só se precisa descobrir qual. As origens têm princípios que precisam ser compreendidos, o todo é muito mais do que um emaranhado de pontas soltas. São as pessoas que se perdem por pensamentos que podem mudar o curso da h...

Não te queixes: faz!

Por muito que os desafios possam parecer intransponíveis, nem todos são efetivamente para serem superados ou concretizados. A ideia que somos senhores do universo e donos do nosso próprio destino, transcende-nos. Somos o nosso maior aliado e simultaneamente o nosso maior inimigo! Cabe-nos a nós, no meio da gestão e discernimento da nossa vida, decidir que papel queremos ter. Se queremos deixar que os problemas nos consumam, que as dificuldades se tornem fardos ou se os enfrentamos com coragem, mesmo sabendo que os podemos não vencer ou até não conseguir superar. Podemos simplesmente ter de aprender com isso, e não cumprir uma qualquer missão maior. Colocamo-nos ao nível de Deus, como se tivéssemos o poder supremo de controlo e as qualidades necessárias para sermos invencíveis. Somos só humanos. Se a vida não corre como desejaríamos, talvez baste mudar a perspectiva com que olhamos para ela. Não é suficiente termos de viver como somos e aceitarmos quem somos, essa é a base fu...

Cuidar

Nascer para cuidar, pode muito bem ser a mais nobre das missões de vida que se pode ter. Talvez todos a tenhamos pela condição da humanidade, ainda que alguns a rejeitem pelo egoísmo ou pelo infundado argumento de falta de jeito. Quando cuidamos dos outros aprendemos a cuidar de nós ou quando cuidamos de nós aprendemos a cuidar dos outros, estão intrinsecamente ligados, quer me parecer. O bem maior que nos dão, a nossa vida, cabe-nos o dever de cuidar dela em qualquer etapa, é o nosso bem mais precioso. Não é um dado adquirido, mesmo que alguns julguem que é, existe todo um percurso que a nossa vida cumpre e que nos cabe valorizar, independentemente das alegrias ou tristezas. Durante a vida cuidam de nós ao nascer, a nossa mãe, o nosso pai, as avós, os avôs, os irmãos, os primos, as tias, os amigos ou até os vizinhos. Somos cuidados desde sempre, é para isso que existe a família, para solidificar os laços do amor e cuidado que devemos ter entre os nossos. Quando cuidamos nã...

Estrela do Norte

Muito se escreve sobre o amor. A complexidade que não gostaríamos que tivesse, o desgaste que nos pode causar, as tormentas que antecedem a felicidade suprema, sintomas dos tempos. Mesmo a mais racional das criaturas, como eu, entende que a dificuldade e o amor, não são compatíveis. A fluidez que o amor nos traz, é o reconhecimento de que a paz e a sincronização do universo sabem o que fazem. Nós perdemos capacidade para sentir com naturalidade o amor, aquele que é simples, verdadeiro e com entrega.  Procuramos, procuramos, procuramos... definimos momentos e situações, recusamos dar-nos quando estamos frágeis, quando estamos fortes, quando estamos confusos, quando só queremos fazer experiências e testar opções. Inventamos entraves e limitações para nós e para o outro, nunca é o momento certo, e quando será? Depois de pensar muito? Ou simplesmente deixar-se ir? Acreditar no que se ouve, nas palavras ditas como elas são, sem procurar segundos sentidos? O receio da m...

Viver e Morrer

Matar, morrer, morrer e matar. Os fins justificam os meios ou assim se diz. Será uma crença ou uma verdade?  Nascemos para morrer e no meio do caminho vivemos. Ou nascemos para viver e o desfecho inevitável é morrer?  Morrermos de amor, de tristeza, de agonia e de fome. E vivemos exactamente pelos mesmos motivos, somos criaturas estranhas. Quando estamos mal queremos morrer, quando sofremos muito queremos morrer e quando estamos no auge da felicidade dizemos: se morresse hoje, morreria feliz! O morrer que tira tudo, na conclusão de um percurso que se deseja longo, pode representar o máximo das conquistas terrenas. O fim do fim, um percurso sinuoso em oscilações de bom e mau. Temos de viver com esta incerteza do que se irá passar no meio, e única certeza que conhecemos é o termos nascido e o medo latente do fim, quando deixarmos de estar ligados pelos fios invisíveis que nos dão a luz da vida. E depois? Nada. Sabe-se lá. Entretanto encenamos em vida vários finais, b...

2018

O que pedir para o novo ano? Talvez que não seja tão mau como os últimos quatro, que passaram! E acreditem que pedir isto não é pouco… Por outro lado, se as coisas não tivessem acontecido como aconteceram, também não teria tido a possibilidade de limar algumas arestas que estava mesmo a precisar de ser aparadas. Existem sempre dilemas nestas coisas, o mau que serve para desvendar segredos, doenças, problemas e porcarias para limpar. Provavelmente na natureza humana tenha mesmo de acontecer assim, na euforia da felicidade esquecemos que existe o lado das sombras e que um, não vive sem o outro, porque como tudo na vida, são complementares. Não se excluem, integram-se. Cada um com as suas particularidades. Na adrenalina da felicidade, nem nos lembramos que existe o inverso e tentamos prolongar a alegria por tempo indeterminado. Tanto a felicidade como a tristeza, têm prazos, mais curtos ou mais longos mas não são para sempre. Podia pedir para passar pelas pingas da chuva se...

Fora da caixa

Quando ideias semi desconexas começam a ganhar forma e vida própria, que se faz com elas? É daquelas situações típicas: “nunca pensei bem nisso” e de um dia para o outro começas a pensar e dar forma às coisas. Primeiro só na cabeça, a congeminar o como concretizar a coisa, mesmo que parece não fazer sentido. Depois mesmo não fazendo sentido listas mentalmente os prós e contras e o nunca transforma-se em: “e porque não?”.  Assim como quem não quer a coisa começas a idealizar cenários e de certa forma a “manipular” as circunstancias a teu favor. Dás por ti em situações que nem parecem reais: “perguntei mesmo isto?” ou “fiz mesmo isto?”. Não sei como funciona com as outras pessoas, mas comigo funciona assim: a ideia entra, ganha forma, materializa-se e instala-se o caos! Como dar forma a uma ideia? Como é que chego lá? E sempre que surge uma pergunta, saltam um montão de respostas a seguir, medos e outras coisas tudo à mistura. Mas continuo na mesma, agora que já assimile...

Reflexões pós-férias

A todas as pessoas que prometem que fazem ou que vão fazer e no fim, nada concretizam, desejo-vos: um bom regresso ao vosso destino. Aqueles que vos lambuzam de elogios, que passam o tempo a enaltecer as vossas qualidades, que vos fazem sonhar de olhos abertos e que depois, do nada e sem aviso prévio desaparecem, desejo-vos: um bom regresso ao vosso destino. Aos que aguardam sempre pelos vossos conselhos, que não se conseguem decidir numa compra ou num caminho sem vos consultar, que esperam sempre pelas vossas palavras de apoio ou incentivo e que quando lhes calha a vez, ignoram-vos ou fingem ignorar, desejo-vos: um bom regresso ao vosso destino. Aos que sempre justificam más atitudes com comportamentos habituais: sempre fui assim ou sempre fiz assim, lembrem-se que antes de aprenderem a andar, também não sabiam fazê-lo. Aos traumatizados pelo amor e pelas mulheres sem escrúpulos que os deixaram estropiados, se continuarem nesse registo irão continuar amputados do melh...

Recompensa

Não dá para ter tudo ao mesmo tempo? Vá lá! Uma pessoa porta-se bem todo o ano, toda a vida, sempre e não pode ter tudo ao mesmo tempo? Claro que o portar-se bem é relativo. Mas não ando por ai a matar nada nem ninguém e uma farpa bem metida aqui e ali não pode ser alvo de penitência. Muito agradecida pelas pequenas a grandes coisas boas que vão acontecendo. Parece que nunca são suficientes. Já as más… não precisavam ser tão más, podem ser só coisinhas de fácil resolução, ainda que chatas. Necessárias, bem sei. Dizem que é no meio da agrura que damos valor ao que realmente importa e que aprendemos. Não gosto de aprender à base de pancada, alimenta-me a raiva e isso não é nada bom. E a minha raiva pode ser muita… o meu teclado do pc que o diga! Sobreviveu e mal, com danos permanentes a um acesso de raiva, ainda me arde a mão só de pensar… Dos pedidos pendentes não posso ter tudo? Ou então listar os prioritários? Não é falta de fé, é falta de paciência. Esperar é uma v...

A voz da consciência

Um dólitá… Bem me quer, mal me quer… Se o primeiro número que vir for par… Jogamos com a sorte, aceitamos que fizemos determinada coisa porque jogamos e foi esse o resultado. Sorte ou azar, que se lixe, foi o que deu! Não queremos o mal me quer e tentamos que a porcaria do malmequer não acabe assim. Se não for naquele, será noutro, porque no fundo sabemos exatamente o que queremos fazer, só nos falta o impulso para fazê-lo ou para reconhecer o que desejamos. Foste tu que me pediste para fazer. Bela desculpa… senão quisesses não farias. Verdade? Pode ter sido o pedido que despoletou a vontade: SIM. Mas se não existisse o desejo da concretização: do fazer, não haveria quem nos demovesse. Isso se forem como eu… claro. Nem um tsunami me muda, a não ser que seja mesmo inevitável e por vezes, lá tem de ser. Dentro da nossa cabeça existe uma voz que nos detém ou que nos impele a fazer. O Bem e o mal, o anjo e o diabo, o certo e o errado, o mais e o menos e todos os oposto...

Testing

Às vezes fazem-se coisas contra a nossa natureza, só porque também é necessário contrariá-la. Até para nos testarmos, essencialmente isso. Mas a conclusão final é que apesar dos testes, aquilo que somos e aquilo que temos em nós, tem um centro de gravidade muito forte que nos torna verticais e nos dá coerência. Claro que não invalida que uma vez por outra, não sejamos incoerentes. A vida é uma descoberta diária, em todas as suas vertentes. E fazer o oposto do que é correto ou do que é habitual em nós, pode simplesmente indicar que tentámos fugir da nossa zona de conforto. Dar um passo em frente e por vezes vir dois para trás, só assim é que sabemos o que funciona ou não. O não é sempre garantido, mas pode ser um sim, temos o 50/50 reservado. De qualquer modo, aquilo que nos define é o certo. É a nossa verdade, o que nos deixa confortáveis, a nossa consciência fica em paz. No fundo sabemos que apesar de termos testado uma atitude diferente, não somos aquilo, não somos assim...

País sem vergonha

Num dia destes no caminho para o trabalho, cruzei-me com a manifestação em defesa do conservatório rumo ao ministério da educação. Senti um mix de vergonha e raiva. Este é o estado do pais que não tem um ministério da cultura, que pouco ou nada se interessa pela arte ou pelos movimentos artísticos, pelos músicos, acrobatas, bailarinos, escritores, criadores e todas as pessoas que optam de forma corajosa por escolher este modo de vida. É preciso coragem para ser artista em Portugal, coragem que eu não tive quando tive de optar. Aos 15 anos escolhi a vertente de artes no ensino secundário, acreditava que o meu caminho seria por ai. Sempre gostei de desenhar, pintar, fazer trabalhos manuais, construir, ler, escrever, música, história de arte sempre me complementaram como pessoa. E lá fiz eu o meu caminho, certa sempre que não seria nenhum Picasso mas mesmo assim, o design de moda seria a minha meta. Neste período fiz milhares de desenhos e até cheguei a fazer roupa e pintar tec...