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Tormentas

Procurei-te na escuridão. Precisei de ti. Longos dias que se multiplicaram por horas e minutos infindáveis, sombras, vultos e ausências. Quis imaginar-te perto. Fechei os olhos e vi-te chegar. Precisei de abraços demorados, de encostar a minha cabeça no teu ombro. Quis descansar o meu corpo esgotado no teu colo. Nunca nos preparamos para as despedidas. Achei-te diferente, quis-te diferente, apenas te encontrei ausente. Silêncios escuros como os dias de inverno. Tempestades que nos atormentam, naufrágios que não conseguimos evitar. Quis-te perto, quero-te perto, mas não sei como. Dou-me por vencida. Nunca um inverno foi tão longo como este. Haverá sempre a primavera para nos recompor o corpo e alma. Precisei de ti.

Suposições

Na minha imaginação os teus abraços deixam perfume. Quando te empolgas a falar, mexes muito as mãos como se os movimentos conseguissem acompanhar o teu raciocínio e as tuas palavras. Por vezes nem as palavras conseguem acompanhar tudo o que armazenas para fazer, dizes muitas coisas ao mesmo tempo com pessoas diferentes, sempre a pensar nas que se seguirão. Andas como falas, conduzes como falas. Rápido, mas pausado e nem sempre atento. Estás sempre com urgência de chegar, nem sabes bem onde, só sabes que tens ir. Tocam campainhas no bolso do teu casaco. Passas os dias a organizar mapas de coisas para outros fazerem e para tu fazeres. Crescem fluxogramas nos teus olhos que se espalham pelas veias do teu corpo e o dia só tem 24h! E não chega para tudo, que desperdício dormir! Ainda escreves com caneta, e seguras com firmeza. A segurança da letra desalinhada, quase infantil em rabiscos de morse nos cadernos que carregas para todo o lado. Não que a memória te falhe, são a s...