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Defeitos

Quantos defeitos pode ter uma pessoa? Infinitos vezes mil, como dizem as crianças... E ainda assim, parecem-me poucos, pelo menos no que me diz respeito. No quadro da perfeição, não que me queira encaixar lá (já me deixei disso à algum tempo), não existe um caraças de um requisito que consiga cumprir com jeito. Deve ser o meu grau de exigência que é grande, comigo entenda-se, os demais mortais hão-de ter os seus próprios critérios. E quanto a esses parâmetros, estou-me a borrifar. É na análise da vida real, do que se faz e do que não se faz. De confiar na intuição, e muitas vezes ignorá-la. É bem feita, começa ai o primeiro defeito, na extensa lista. Ouvir o que não se ouve, entender o que não se vê. Não tem nada a ver com índices de loucura, daquela que os médicos diagnosticam, nada disso, é saber antes de acontecer. É saber sem conhecer, histórias de vida, segredos que os outros guardam, coisas que vejo sem precisar de olhar. Saber, mas fingir que não sei. Que fazer com ist...

Interpretações

Nos subentendidos geram-se os mal entendidos. O que subentendo pode não ser o que queres dizer e pode ser a minha própria versão do que gostaria que dissesses. Imagino que me dizes tantas coisas. Sempre o mesmo em versões diferentes, melhoradas, revistas e ampliadas. Pode nem existir nada para subentender, pode ser apenas aquilo que está dito e ponto final. Claro, simples e directo. Pessoas com muita imaginação, traçam muito cenários. Fazem fantasias. Mesmo com provas palpáveis, escolhem interpretações e inventam histórias. Acrescentam acções, suposições e imbróglios. Eternos insatisfeitos com o que se vê, eternos exploradores de romances e histórias mágicas. Iludem-se. Não por insistência, mas por necessidade. Não sabem ser de outra forma, mantêm vivo o optimismo, mesmo num campo de batalha. Sonham de olhos abertos. Filtram pesadelos e adaptam-se à realidade. Ajustam-se. As mudanças físicas acontecem como se os ossos estivessem todos a crescer ou simplesmente a reajus...