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Mensagens

Os homens são uma embalagem

Uma linda peça de louça Vista Alegre que apetece ter em casa. De valor. Mas em algum momento, por sorte rápido, o efeito máquina de lavar dá-se. O prato está cheio de rachas. Tem pouco brilho. É defeituoso, p'loamordossantinhos. Assim são eles. Aparentemente seguros, decididos, em controlo da onda, ponderados, com abraço protector, um sorriso meigo, uma narrativa extraordinária. O mito urbano. Não passam disso. Uma fachada. Trazem não só bagagem, mas toda uma autocaravana emocional, assente em fragilidade, imaturidade, falta de discernimento, e medos vários. Trazem esta encomenda toda com promoção 2 em 1 com todas demais vicissitudes da vida (exs, pais, filhos, carreiras, crises de meia idade – ou crises de uma idade qualquer que lhes assente bem) com as quais não têm capacidade alguma de lidar. Sempre em fuga. E arrogam-se a ser Vista Alegre edição limitada. Imprescindíveis ao sexo feminino que lhes cai aos pés que nem tordos incapazes de resistir a tamanho encanto. ...

Homens pendentes

Gostam de passear entre comboios. Fazer várias linhas. Querem parar numa estação.  Agrada-lhes a ideia de sair e fazer umas visita. Arriscar a descobrir e explorar uma zona nova.  Dar-se ao luxo do passeio e das surpresas que possam advir.  Mas assim que o comboio se aproxima da estação ficam imóveis, não se levantam, e o comboio volta a arrancar. A viagem não cessa mas não há maneira de esbaterem a inércia que os impede de saltar entre portas e correr em direcção ao risco. Gostam do suave embalar do pêndulo, ora mais ritmado e desafiante, ora mais espaçado e sem grande exigência. Mas mantém-se em andamento. Não abandonam os carris. Ouve-se o barulho a atravessar as cidades. Mas de quem lá vai dentro,  nem um fragmento de visibilidade. E chega o dia em que o comboio é encostado – renovaram-se as composições. Faz-se o balanço positivo e bem sucedido de todas as viagens que chegaram a bom porto, e o conforto de todas as pessoas que por lá passaram uma, dua...

Uma casa vazia

Do lado de fora da porta, tudo igual. O mesmo tapete encostado no lancil da entrada, a porta maciça firme e sólida como sempre. Do outro lado um inexplicável vazio. Como é difícil entrar num dos espaços mais preenchidos da nossa memória, que agora se encontra vazio. São coisas, são objetos, a matéria, a pessoa que lá vivia não existe, por isso não faz sentido manter. Não nos pertence, nada do que ali está é nosso. É um ato de coragem, entrar. E entra-se. Entrei. Os espaços parecem incrivelmente mais pequenos, não devia ser o inverso? Ou é porque a alma mirrou no vazio? Ou é pelo eco das paredes? Não sei. Parece-me tudo muito mais pequeno, agora que o espaço está vazio, e antes atafulhado de tralha. Não sobrou nada, nem luz. Sobrou apenas o que não se conseguiu arrancar das paredes. Ainda se sente o cheiro da vida que ali vivemos, mas pouco. Nada daquilo faz sentido. Destemida e brava guerreira, é assim que eu acho que sou, mas não ali. Não naquelas circunstâncias. Caiu-me ...

Remar contra a corrente

Brincar com os sentimentos das pessoas, não é bonito e não se faz. É mais ou menos uma verdade universal, ou pelo menos, assim achei que seria. Sempre aconteceu e vá, uma vez por outra todos nós cometemos esta falha com alguém, uns sem intenção outros por puro egoísmo. Claro que sim, é normal. A imperfeição acompanha-nos como a perfeição, o que escolhemos fazer com elas é que nos distingue. Esta coisa da sociedade em que vivemos, que nos permite estar próximos e mais ligados do que nunca, parece que ao mesmo tempo nos torna descartáveis. Acabamos por estar ao mesmo nível da Telepizza (que presta um belíssimo serviço, entenda-se), onde escolhemos por catálogo: o que queremos comer, a junção perfeita de ingredientes, o contexto/ massa, o local de entrega, hora e como vamos pagar. É basicamente o que vai acontecendo com a interação humana.  Os relacionamentos de comprometimento ou empenho são coisas medievais ou mesmo jurássicas, e os dinossauros já saíram de cena há ...

38 anos, 8 meses e 5 dias.

2 de Maio nunca mais será igual. Pensei e pensei se haveria de voltar a escrever sobre este tema, agora nesta altura do ano tão importante para mim, e lá vou eu de novo. É difícil celebrar o meu aniversário e ter esta constatação de realidade, a minha avó não está cá. Não está cá, não porque está doente ou porque se ausentou mas porque morreu. A vida chegou-lhe ao fim, e isto tudo é o resumo de uma vida em conjunto, que terminou no dia 7 de Janeiro 2017. Não vai estar nos meus aniversários, não me vai telefonar, não vamos às compras, não vai estar nem na casa dela, nem na minha, nem na nossa, não vai estar nos natais, no meu casamento, em lado nenhum. Não vai estar. Chama-se a isto: aprender a viver, tudo de novo, sem ti avó. Dia após dias, nestes anos todos da minha vida, foste presença certa. É simpático o que dizem as pessoas: tiveste sorte, com uma avó tanto tempo. É verdade, bem sei que sim. Sou grata por isso e sei que foi um privilégio único e que poucos têm. Qu...

Acreditar

O que eu quero é tão simples. Nem mais nem menos do que te irei confidenciar.  Ouve com atenção amor, o que vou dizer.  Fecha os olhos e sente cada palavras. Vivemos no mesmo tempo, nem sempre partilhamos o mesmo espaço.  Mas coexistimos no presente. Ninguém se compara a mim. Ninguém cheira como eu, ninguém faz as coisas como eu faço. Neste universo que partilhamos, sou única e incomparável. Faço-te sentir especial. Quero perder a noção do tempo quando estou contigo.  Deixar de ter os dias contados e os encontros marcados. Quero espontaneidade e vontade. Quero querer por querer.  O sentir saudades e dizer.  O preocupar, cuidar e amar. Divago no meio de palavras e pensamentos, e nem sempre digo o que penso.  Deixo-me encantar. Acredito sempre na possibilidade que um dia mudes e que me faças sentir especial. Nunca acontece, mas acredito sempre. Todas as vezes, encho-me de esperança. Não foi ontem, há-de ser amanh...

Strange Days

"Entre marido e mulher não se mete a colher." Claro…a mulher teria sempre de acatar de decisão do marido e por isso mesmo, lei para todos os abelhudos que se queiram infiltrar numa relação perfeita. Nunca fez sentido, o ditado popular. Mas compreende-se que tenha existido num contexto da história da humanidade, má para as mulheres. Hoje, é um total absurdo. Vê-se as noticias sobre a Bárbara Guimarães, e os argumentos da Júlia Pinheiro…e pensa-se: porra, estamos lixadas! O quer que se tenha passado entre este casal, provavelmente ambas as partes têm culpa e em algum momento passaram-se dos carretos, é provável. Que a Bárbara, foi vitima de violência do doméstica, psicológica, física, disso não tenho dúvidas. E agora sofre bullying no trabalho. Afastada de um evento importante em que dava a cara, o corpo, a alma e tudo. Um evento que ajudou a construir e que profissionalmente acompanhou e do qual foi o rosto durante vários anos, foi uma aposta do mesmo canal que ag...