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Mensagens

Pêlo de Arame

“Roubaram-me o Bobby.” É esta a nota do meu avô no calendário referente ao dia 7 de Dezembro algures nos anos 80. O Bobby era um pequeno cão pêlo de arame, bom para a caça de porte médio/pequeno com pelugem creme e com uma barbicha deliciosa. Foi para o quintal do meu avô ainda pequeno e quando desapareceu era ainda jovem, não teria mais de 2 anos (se tivesse). Os netos pequenos, trasnsformaram o Bobby na mascote, mais um elemento do grupo de brincadeiras. Ele gostava…respondia ao nosso assobio de crianças (que o meu avô não queria… para que ele obedecesse apenas ao assobio do dono) mas tanto o Bobby como nós, pouco ligávamos. O cão sabia quem era o dono. Era um excelente caçador. Sim, o meu avô era caçador e isso não lhe diminuía o amor pelos animais, muito pelo contrário. O amor que tinha pelos cães então, era expressivo. É daquelas imagens que se guardam das pessoas, o meu avô e um cão, dois ou três, foram vários ao longo da vida dele, foram vários ao longo da minha vida. ...

Inexistência

Def. adjetivo de 2 géneros: 1. que está em falta 2. que não existe É assim que se define a palavra inexistente: o que está em falta ou o que não existe. Algumas palavras só ganham realmente sentido quando algo está em falta ou deixa de existir, como é o caso da palavra inexistente. Tantas vezes usada e nem sempre fácil de materializar o seu sentido. A inexistência tem-me fixado os pés na terra, sempre que, sem dar conta viajo pela existência de pessoas e situações inexistentes. Deixo-me vaguear por pensamentos familiares e por memórias que ainda me parecem presentes, como se conseguisse estender o inexistente pelo presente. É tão real que parece verdadeiro. Como se ainda acenassem naquela janela, onde tantas vezes esperam por nós. Como se a rotina não tivesse mudado e as listas de compromissos não se tivessem reajustado à nova realidade. Ainda se sente tudo recente, como se não tivesse acontecido porque a presença não se ausentou na inexistência, faz parte do dia-a-dia...

41 pelos 14

É assim que as coisas acontecem, por uma série de razões que nos ultrapassam mas nunca por acaso. Os 41 anos são o inverso numérico dos 14 anos e mais uma vez, nada acontece por acaso. Desculpem-me os mais céticos nestas coisas, eu já tenho provas suficientes para acreditar.  Aos 41 anos assentou toda a poeira que andava pelos meu céu! Toda a poeira que ficou particularmente confusa precisamente aos 14 anos. Ao contrário do que habitualmente se diz: “era jovem e parva” ou algo do género, era efetivamente jovem mas nunca em momento algum parva, tola ou algo semelhante. Tinha 14 anos e por isso, o que era naquela altura não é o que sou hoje ainda que exista em mim essa miúda de 14 anos que perdeu o avô após um período de sofrimento longo e que por esse motivo deixou de acreditar em Deus e em tudo o que dissesse respeito à fé. Que arrumou o encanto pela vida e pelas coisas simples em questões pragmáticas e palpáveis. Que optou por apagar da visão do mundo a magia para se...

Não te queixes: faz!

Por muito que os desafios possam parecer intransponíveis, nem todos são efetivamente para serem superados ou concretizados. A ideia que somos senhores do universo e donos do nosso próprio destino, transcende-nos. Somos o nosso maior aliado e simultaneamente o nosso maior inimigo! Cabe-nos a nós, no meio da gestão e discernimento da nossa vida, decidir que papel queremos ter. Se queremos deixar que os problemas nos consumam, que as dificuldades se tornem fardos ou se os enfrentamos com coragem, mesmo sabendo que os podemos não vencer ou até não conseguir superar. Podemos simplesmente ter de aprender com isso, e não cumprir uma qualquer missão maior. Colocamo-nos ao nível de Deus, como se tivéssemos o poder supremo de controlo e as qualidades necessárias para sermos invencíveis. Somos só humanos. Se a vida não corre como desejaríamos, talvez baste mudar a perspectiva com que olhamos para ela. Não é suficiente termos de viver como somos e aceitarmos quem somos, essa é a base fu...

Reserva para dois

No desafio de escrever diariamente, os temas banais podem guardar algumas surpresas! Como uma simples marcação de agenda se pode tornar num tema de desenvolvimento? Ou uma simples ocasião? Um encontro? Um jantar? Ou levar o lixo ao contentor? Talvez não seja preciso um tema de fundo para que se desenvolva uma ideia. Acontecem tantas coisas simples durante um dia que podem condicionar tudo ou até mudar o que segue. Talvez seja esse o principal motivo porque saímos com os nossos amigos e fazemos coisas lúdicas, para que a rotina e o dia-a-dia ganhem outros contornos e se tornem dignos de nota. Bem vistas as coisas, a maior parte dos dias são apenas isso, dias em que se acorda, despacha-se para o trabalho, fica-se no trabalho e segue-se para casa, dias em que chover pode ser o mais entusiasmante das 24h. Se não nos ocuparmos com alguma coisa que nos estimule ou que quebre a rotina, a vida fica previsivelmente enfadonha! Então precisamos sair da zona de conforto e partir par...

O português só sabe exigir!

Temos uma cultura social muito mal trabalhada, ou melhor, temos uma cultura social muito pouco desenvolvida. Fazendo um paralelismo com as comunidades nos Estados Unidos, percebe-se claramente que as pessoas se organizam em comunidades para defender os seus direitos e fomentar a união entre as pessoas. Basicamente, as pessoas do bairro tomam conta do bairro. O Estado obviamente tem de servir as populações e dotá-las das infraestruturas necessárias para terem qualidade de vida, no entanto, o que estas comunidades fazem depois é garantir que tudo é preservado, responsabilizar e envolver as pessoas para as causas da comunidade. Não só apenas nas questões de gestão dos espaços públicos, mas também na intervenção social ativa no cuidado dos mais necessitados, na educação cívica e social e no acompanhamento das crianças e idosos. Promovem também sessões de esclarecimento com os políticos locais, cada estado tem senadores que regularmente se juntam às suas comunidades para responder a q...

Cuidar

Nascer para cuidar, pode muito bem ser a mais nobre das missões de vida que se pode ter. Talvez todos a tenhamos pela condição da humanidade, ainda que alguns a rejeitem pelo egoísmo ou pelo infundado argumento de falta de jeito. Quando cuidamos dos outros aprendemos a cuidar de nós ou quando cuidamos de nós aprendemos a cuidar dos outros, estão intrinsecamente ligados, quer me parecer. O bem maior que nos dão, a nossa vida, cabe-nos o dever de cuidar dela em qualquer etapa, é o nosso bem mais precioso. Não é um dado adquirido, mesmo que alguns julguem que é, existe todo um percurso que a nossa vida cumpre e que nos cabe valorizar, independentemente das alegrias ou tristezas. Durante a vida cuidam de nós ao nascer, a nossa mãe, o nosso pai, as avós, os avôs, os irmãos, os primos, as tias, os amigos ou até os vizinhos. Somos cuidados desde sempre, é para isso que existe a família, para solidificar os laços do amor e cuidado que devemos ter entre os nossos. Quando cuidamos nã...