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Mensagens

Abraçar

As interrupções abruptas não são bem-vindas, mesmo quando são necessárias. Nunca são fáceis ou ligeiras. Num momento está tudo normal e é assim que se espera que continue mas de um momento para o outro tudo pode mudar e isso nunca foi tão real como agora. Já tinha sentido esse choque quando mudei de escola e passei do colégio para a secundária. Já tinha sentido a violência de uma interrupção abrupta e permanente, quando o meu avô morreu, algures naqueles primeiros dias do mês de março e mais tarde nesse ano quando partiu também o meu outro avô. Alguns anos nem deveriam fazer parte do calendário. Todos os dias morrem pessoas, dizem… mas não a mim, a mim até então não tinha morrido ninguém de importância extrema. Com o passar do tempo habituamo-nos e conformamo-nos com esta realidade, não se pode fazer nada. Aceita-se com maior naturalidade quando temos mais idade e quando se percebe que o fim é inevitável e o fim do sofrimento também, como foi no caso das minhas avós. Não é fácil ma...

Pequenos focos de amor

O amor não tem de nos deixar inquietos, muito pelo contrário, tem de nos deixar em paz.  Tem de possuir a habilidade de nos devolver ao espírito a paz que buscamos quando procuramos o amor.  Talvez a literatura seja em parte culpada por este equívoco!  Os escritores com os seus amores exacerbados, doentios, frenéticos, sôfregos, cheios de fogo, angústia e dor fazem-nos crer que o amor, o bom amor, o que vale a pena deve ser assim. Deve deixar-nos num estado de explosão eminente e intensa, num estado de sobressalto permanente que nos tira o sono, a fome e por pouco os sinais vitais do corpo! Claro que o amor precisa do combustível que só a paixão sabe dar, o fogo que gera desejo, vontade e muito impulso é indispensável no primeiro impacto. Mas depois, como nos narram os escritores com o passar do tempo o fogo começa a transformar-se em ciúme, loucura e em casos extremos, doença. Ficam obcecados e obsessivos com a pessoa amada como se precisassem dela para viver, co...

Sobre o Cancro

Ficou definido que o dia 4 de fevereiro é o Dia Mundial do Cancro. O objetivo principal desta data é desmistificar algumas das ideias pré-concebidas sobre o cancro e informar sobre os fatos reais da doença, sensibilizar a população e mobilizá-la na luta contra a doença. A preocupação com o cancro é global e transversal a todas sociedades e culturas. A celebração desta data remonta ao ano 2000 e baseia-se na Carta de Paris, onde se apelou à aliança entre investigadores, profissionais de saúde, doentes, governos e parceiros da indústria no âmbito da prevenção e do tratamento do cancro. A carta foi aprovada em 4 de fevereiro desse ano, na World Summit Against Cancer for the New Millenium. Os números associados às doenças oncológicas são assustadores! O número de novos casos que vão aparecendo crescem de ano para ano, em paralelo vai também aumentando a esperança de vida para os doentes e são cada vez mais os casos de cura. O envelhecimento da população faz disparar ainda mai...

A Guardiã

Bem ao seu estilo, sem subtilezas andou a minha saudosa avó Maria, Maria de Vale Côvo como era conhecida, a "enviar-me" lembretes sucessivos para não me esquecer dela. Como se isso fosse possível!  Não me esqueci querida avó, que fez no passado dia 24 de Janeiro dois anos que partiste. Todo o dia 24 estive pensar nela, era uma mulher divertida, alinhava nas nossas brincadeiras e como queria sempre saber do que tanto nos riamos. Nunca mais comi bolo de iogurte como aquele que nos deixava noite, após noite para comermos quando chegávamos a casa das noitadas.  A mulher do oráculo eras tu, obviamente. Igual a ti mesma e sem subtilezas a intrometeres-te nos meus momentos zen. Mais tarde no filme, que abriu o ecrã com um gigante 6 de Abril! Foi certeiro! Senti ao ver esta data, imensas saudades tuas, para que saibas.  Tive saudades das brincadeiras ao telefone, a troca de galhardetes em que sempre alinhavas sem te ofenderes. De tantos e tantos lanches ...

Um certo tipo de amor

Há um certo tipo de amor que demora a florir. Há um certo tipo de pessoas onde o amor demora a florir. Qualquer uma das afirmações é verdadeira. A primeira está comprovada, nem todos os amores são à primeira vista ou nascem espontaneamente, precisam de amadurecimento como as sementes na terra. O amor precisa de tempo, dedicação, empenho e coragem para se acreditar que vai germinar. O amor saudável, o que nos faz bem tem premissas que parecem esquecidas. Não tem regras pré-estabelecidas, contudo precisa deixar que a magia faça a sua parte, precisa que não se desista na primeira contrariedade, que não se desista só por desistir, que se deixe de lado crenças e ideias pré-concebidas que se possa ter sobre o amor. Precisa acima de tudo que se deixe de lado a bagagem que se traz. Não podemos esquecer a experiência que temos com o amor e ao mesmo tempo não podemos deixar que isso nos impeça de aguardar o imprevisível. O amor que demora a florir precisa ser original, ter uma linguagem pró...

Anjo da Guarda

#3 O número 3 é associado à criatividade e expressão. Nas questões espirituais o três é visto como a união entre a mente, o corpo e o espírito resultando assim no equilíbrio que todos queremos para as nossas vidas. O três pede-nos que aceitemos a nossa criatividade sem medo de expressá-la, também nos diz que a comunicação pode acontecer naturalmente e sem esforço. De uma maneira ou de outra, temos de usar isso a nosso favor, criando aliados e uma base forte para transformar as ideias em realidade. O três é um convite para nos abrirmos para o mundo e aceitar que essa é a nossa missão. Faz três anos hoje que recebi a notícia que iria começar a escrever semanalmente no 7HINK. Faz três anos que morreu a minha avó, umas das pessoas mais importantes da minha vida. Faz hoje três anos que tudo isto aconteceu, no mesmo dia e quase na mesma hora. Por isso, faz três anos que ganhei mais um anjo da guarda, o terceiro. As coincidências ficam aquém de si próprias, os significados não pod...

Mais uma década

E assim termina mais uma década. Esta foi para mim a década mais difícil mas também a mais proveitosa. Fazer uma retrospetiva sobre tudo o que me aconteceu nos últimos dez anos é um exercício brutal mas também uma tomada de consciência incrível sobre tudo o que vivi e passei. Não houve nenhuma área da minha vida que tivesse passado intacta nesta última década, nenhuma! Todas sofreram alterações e todas passaram por fases dificílimas e por momentos de paz mas nenhuma – NENHUMA - ficou igual. Digamos que pensar concretamente, com estrutura e ordem, sobre o que se viveu nos últimos dez anos me permitiu concluir que sobrevivo a qualquer coisa nesta vida. Não estou a exagerar, esta é também uma convicção que trago comigo desde o dia em que nasci, sobreviver ao impensável, ao inimaginável é um lema de vida, um superpoder que está registado no meu ADN. Por outro lado, dá-me também a capacidade e a responsabilidade de gerir a minha vida de uma forma melhor e foi isso que esta última dé...