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Mensagens

Usar a cabeça

Tenho sérias dúvidas que vá ficar tudo bem. Não sei qual é o propósito maior disto tudo o que estamos a viver, sei apenas do ponto de vista prático, as pessoas parecem desnorteadas. E não só porque efetivamente os dias estão estranhos e tivemos de ficar em prisão domiciliária. As pessoas sentem-se mais vulneráveis com medo de ficar doentes ou de transmitirem o vírus de um lado para outro, de perder o emprego, rendimento, de não saber como as crianças irão voltar à escola e por ai fora… não obstante tudo isto, que já não é pouco, temos as duas fações que entram em choque nas redes sociais e um pouco por todo o lado: os que acham que somos todos uns totós instrumentalizados pelo estado e sabe-se lá mais o quê e que o vírus não passa de um engodo e os outros que não saem de casa sem se passar por álcool dos pés à cabeça e que esticam uma fita métrica para garantir que cumprem os dois metros até com a família. Enfim, bem sei que não é fácil e que tudo isto que estamos a viver é novo para t...

A neta da Dona Rosa

Hoje a minha avó faria 94 anos. Sempre soube que um dia iria perdê-la (é a lógica natural da vida) e até esse dia ter acontecido, passou muito tempo.  Tenho essa bênção bem presente e sou imensamente grata por ter tido a minha avó tantos e bons anos na minha vida. Mesmo sabendo tudo isto, aceitando que as coisas acontecem desta forma, não poderia imaginar as saudades que iria sentir dela, são muitíssimas!  Desde que ela partiu que não passo um dia em que não pense nela, que não comente alguma coisa que fiz com ela ou que simplesmente a mencione. Na verdade, não tinha noção que o fazia. Numa banal conversa depois de dizer “ou como diria a minha avó…” apercebi-me da frequência com que falo e penso nela. Fiquei surpreendida, não por achar estranho mas por de facto não ter percebido como é difícil superar a ausência de uma das pessoas mais importantes da minha vida. E como eu, apesar de achar que tinha encaixado tudo bem, compreendido e aceitado ainda não consegui desfazer-me de...

Fora da Quarentena

Finalmente “desconfinados“ e depois de ter lido todos os desabafos e mais alguns que por ai se escreveram, aproveito para partilhar a minha experiência. Durante este período o que mais me disseram foi: “tenho pensado tanto em ti, tu ai sozinha…” e “como consegues viver aqui sem ter alguém para conversar?”. Como explicar isto, sem parecer demasiado filosófico ou uma balela. Estar só não significa estar sozinha, mesmo estando sozinha eu não me sinto só, nunca senti. A solidão não me pesa, nem nunca me pesou. Entendo que faça confusão a algumas pessoas mas eu sou uma companhia porreira para mim própria e aprecio-me bastante. Por isso, o estar sozinha não me causou mossa e o não conversar com ninguém também não foi verdade, falei com muitas pessoas durante a quarentena, troquei muitas mensagens, fiz inúmeras chamadas de vídeo, falei muito comigo mesma e com as minhas gatas. Não senti falta de falar com mais ninguém. Peço desculpa pela franqueza. Faz-me alguma confusão que as pessoa...

A Gratificação

E não é assim que tudo deveria ser? Passamos a vida em busca de um qualquer ideal e esquecemos a simplicidade das coisas que aparecem sem verdadeiramente procurarmos por elas. Sempre que nos obrigamos ou esforçamos em excesso, estamos de certa maneira, a contrariar a nossa própria natureza. Umas vezes tem mesmo de ser, quando a indolência toma conta da ocorrência sem justificação aparente, e ai é vital reverter a situação para nosso bem. Fora estas situações, é verdade que sempre que procuramos em demasia ou forçamos para que alguma coisa aconteça, estamos a controlar coisas que nem sempre devemos ou que estão ao nosso alcance. A necessidade de controlo é boa quando precisamos ter organização, planeamento e estrutura e mesmo assim temos de deixar uma margem para qualquer ocorrência inesperada, porque acontecessem quase sempre, como maior ou menor escala e não são nenhuma desgraça. A vida deve fluir naturalmente é isso que nos deixa maravilhados quando chega a primavera. O i...

Abraçar

As interrupções abruptas não são bem-vindas, mesmo quando são necessárias. Nunca são fáceis ou ligeiras. Num momento está tudo normal e é assim que se espera que continue mas de um momento para o outro tudo pode mudar e isso nunca foi tão real como agora. Já tinha sentido esse choque quando mudei de escola e passei do colégio para a secundária. Já tinha sentido a violência de uma interrupção abrupta e permanente, quando o meu avô morreu, algures naqueles primeiros dias do mês de março e mais tarde nesse ano quando partiu também o meu outro avô. Alguns anos nem deveriam fazer parte do calendário. Todos os dias morrem pessoas, dizem… mas não a mim, a mim até então não tinha morrido ninguém de importância extrema. Com o passar do tempo habituamo-nos e conformamo-nos com esta realidade, não se pode fazer nada. Aceita-se com maior naturalidade quando temos mais idade e quando se percebe que o fim é inevitável e o fim do sofrimento também, como foi no caso das minhas avós. Não é fácil ma...

Pequenos focos de amor

O amor não tem de nos deixar inquietos, muito pelo contrário, tem de nos deixar em paz.  Tem de possuir a habilidade de nos devolver ao espírito a paz que buscamos quando procuramos o amor.  Talvez a literatura seja em parte culpada por este equívoco!  Os escritores com os seus amores exacerbados, doentios, frenéticos, sôfregos, cheios de fogo, angústia e dor fazem-nos crer que o amor, o bom amor, o que vale a pena deve ser assim. Deve deixar-nos num estado de explosão eminente e intensa, num estado de sobressalto permanente que nos tira o sono, a fome e por pouco os sinais vitais do corpo! Claro que o amor precisa do combustível que só a paixão sabe dar, o fogo que gera desejo, vontade e muito impulso é indispensável no primeiro impacto. Mas depois, como nos narram os escritores com o passar do tempo o fogo começa a transformar-se em ciúme, loucura e em casos extremos, doença. Ficam obcecados e obsessivos com a pessoa amada como se precisassem dela para viver, co...

Sobre o Cancro

Ficou definido que o dia 4 de fevereiro é o Dia Mundial do Cancro. O objetivo principal desta data é desmistificar algumas das ideias pré-concebidas sobre o cancro e informar sobre os fatos reais da doença, sensibilizar a população e mobilizá-la na luta contra a doença. A preocupação com o cancro é global e transversal a todas sociedades e culturas. A celebração desta data remonta ao ano 2000 e baseia-se na Carta de Paris, onde se apelou à aliança entre investigadores, profissionais de saúde, doentes, governos e parceiros da indústria no âmbito da prevenção e do tratamento do cancro. A carta foi aprovada em 4 de fevereiro desse ano, na World Summit Against Cancer for the New Millenium. Os números associados às doenças oncológicas são assustadores! O número de novos casos que vão aparecendo crescem de ano para ano, em paralelo vai também aumentando a esperança de vida para os doentes e são cada vez mais os casos de cura. O envelhecimento da população faz disparar ainda mai...