Avançar para o conteúdo principal

A realidade é dura

Um dia o mundo tem todas as possibilidades possíveis e imagináveis e no dia a seguinte deixa de ter.

Nunca nos colocamos nesta posição: da impossibilidade. Pode ser pelo anseio da juventude permanente, não saber o que o esperar do tempo e julgar que se tem sempre tempo para tudo. A eternidade e o infinito é tudo o que temos pela frente, mesmo não tendo. Sabemos disso desde o dia em que nascemos, mas insistimos em esquecer, pelo bem da nossa sanidade.

Mas num dia adormecemos com tudo aos nossos pés e acordamos com limitações que não calculávamos, porque sempre achamos que tínhamos tudo para conseguir fazer o que nos propomos sem entraves. O tempo sempre foi nosso aliado e de um momento para o outro, escasseou. Como se uma bomba estivesse a rebentar nas nossas mãos. E o bom senso diz-nos que não nos devemos precipitar e o coração rebenta, como quem diz: Vai! Faz o tens a fazer, já!

A vida não é linha reta, tem curvas, montanhas, planícies, buracos, sol e chuva. Se nos adaptamos aos dias cheios de particularidades, também nos conseguimos adaptar a todas as contrariedades que vão surgindo. Se há característica que gosto na humanidade é a capacidade de adaptação. Aceito essa necessidade com naturalidade, as rotinas cansam-me o espirito e muitas coisas fora do sitio ao mesmo tempo também, eu sou a pessoa do meio, aquela que se esforça por manter a balança equilibrada. 

Não é tarefa fácil, em dias em que um dos prato da balança desequilibra quase até ao chão. Não entrar em pânico é a minha reação, é deixá-lo para mais tarde, se tiver de ser, mas só se tiver mesmo de ser! Eu resolvo tudo, sempre foi assim. Mesmo as coisas que não dependem de mim, eu resolvo, eu trato, eu melhoro, eu faço. Não podia ser sempre assim, não é verdade? Só eu para julgar que seria possível…

Ás vezes é preciso deixar que os outros cuidem de nós, façam o que não conseguimos fazer. Precisamos entregar-nos, como confiança e amor.

Se a vida não te dá limões…vai procurar outra fruta!

Lá terá de ser, on my way…



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Não devemos voltar a onde já fomos felizes

Hoje acordei com esta expressão na minha cabeça: “não devemos voltar a onde já fomos felizes”. Sempre que penso nisto, e cada vez mais me convenço, que está completamente errada. Na prática, acho que a expressão tem a ver com pessoas e não com lugares. Não voltarmos a onde já fomos felizes, ou seja, não voltar para determinada pessoa. O local acaba por vir por acréscimo, já que as memórias não ficam dissociadas de situações, locais ou pessoas. Mas é sempre por aquela pessoa específica, que não devemos voltar atrás e não pelos  momentos felizes que se viveram naquela praia ou no sopé daquela montanha. É o requentado que não funciona… ou não costuma funcionar. Acredito que para algumas pessoas dê resultado, mas de uma forma geral, estar sempre a tentar recompor uma situação que não tem concerto, não tem mesmo solução! Mesmo quando existe muito boa vontade e uma boa dose de amor. Voltando aos locais, que é isso que me importa. A história reescreve-se as vezes que forem...

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga!

Não sei como funciona com o resto das pessoas, mas eu quando abuso o meu corpo arranja maneira de me dizer: basta! E foi isso que aconteceu… uma mega gripe, para ver se recupero o sono todo que não tenho dormido e uma bela crise de fígado para reajustar hábitos! Quando não se aprende a bem, aprende-se a mal. Achei que era importante falar sobre isto, porque quando se partilham experiências, normalmente descobre-se que não é um problema exclusivo ou uma coisa só nossa. Comigo funciona assim, eu sou do tipo de pessoa que acumula tudo muitas vezes sem exteriorizar… é defeito e feitio. E como 2013 tem sido um ano rico em situações complicadas, eu deixo para depois sentir na pele os efeitos diretos, porque no imediato tenho de agir para resolver, fica para mais tarde chorar ou rir se tiver de ser. Depois dá-se o colapso… Desta vez até foi ligeiro, mas não deixa de ser um aviso. No ano em que terminei o mestrado ai sim, os avisos foram marcantes. Quando a ansiedade se descontrola, tudo ...

Nirvana no dramático de Cascais

Apropriado para esta semana, em que fui ver o documentário sobre a vida do Kurt Cobain.  Fiquei a entender porque se apresentou em Cascais completamento apático. O concerto aconteceu a 6 de Fevereiro 1994 e o Kurt cometeu suicídio a 5 de Abril do mesmo ano. Não devia estar no auge do contentamento... No palco esteve apenas para fazer o que lhe competia com nenhuma interacção com o público. Apenas cantou e tocou, sem dirigir uma única palavra ao público presente. Na altura achei aquilo demais, e fez-me gostar menos de todo o concerto. Só que eram os Nirvana e a eles tudo se perdoa. Recordo do meu pai me dizer: "olha aquele tipo que foste ver no outro dia, morreu. Estava a dar nas noticias." Acho que nem fiquei surpreendida, talvez suspeitasse que seria o desfecho lógico.  Sempre achei que o Kurt Cobain era um homem denso, profundo e melancólico e comprovou-se com o documentário.  Não iria dar para viver mais do que foi. A vida não foi fácil para o Kurt, um tip...