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Insólitos

Não deixa de ser insólito que para as mesmas circunstâncias existam diferentes perspectivas. Se acontecer comigo é uma coisa, se acontecer com o meu vizinho é outra, se acontecer com alguém de “sangue” azul é outra…e por ai fora. Até nos contextos podemos ser descriminados, ora vejamos:

  • Eu sou despedida, os outros renunciam.
  • O meu filho é bipolar o do outro é enérgico e cheio de genica.
  • O meu tio morreu de cancro, os demais de doença prolongada.
  • A minha avó tem demência, o Presidente da República tem lapsos de memória.
  • Eu tenho uma crise de fígado, a outra em uma indisposição.
  • Eu candidato-me a um estágio para desenvolvimento profissional já com 3 anos de trabalho e sou júnior nas funções, quando o filho do Durão Barroso pode ser nomeado para um cargo de gestão de topo no banco de Portugal com pouca experiência.
  • Uma pessoa acaba com o namorado ou casamento e foi largada… a outra está com problemas pessoais (os homens nem entram nesta equação…que para eles tanto lhes faz).
  • O meu filho vomita ou outro bolsa…
  • Se ele não me telefona ou envia sms é porque não está interessado, se o mesmo se passar com outra, é porque ele está ocupado.
  • Eu compro coisas a crédito o outro compra tudo a pronto…
  • O meu miúdo anda na escola o do outro no colégio.
  • A minha mãe é funcionária publica, a do outro desempenha um cargo numa empresa pública.
  • Eu atraso-me, o outro tem um imprevisto.
  • Eu durmo, os outros descansam os olhos.
  • Eu tenho uma dor nas costas os outros deram um mau jeito.
  • Se não ganho um prémio é porque não mereço, os outros compram-no.
Claro que algumas pessoas procuram esconder o “sol com a peneira” como se costuma dizer, por achar que devem disfarçar o mal que lhe corre a vida ou simplesmente situações banais, que na pratica não interessam a ninguém, a não ser ao próprio. 

Acho notável as pessoas que se dão a esse trabalho. Que importa o que pensam os outros? O que importa é a forma como reagimos de baixo de fogo e a forma como conseguimos melhorar a nossa vida fase às adversidades. O resto… é paisagem.



Comentários

  1. Olá Sofia, pegando neste teu post e num outro anterior em que referes o famoso "vai indo", sabes muitas e muitas vezes uso os tais "esconder o sol com a peneira" e o "vai indo" mas isso é apenas para não exteriorizar o me vai dentro, não me apetece a maior parte das vezes que alguém se ponha ou a dar-me conselhos, ou a comiserar-se, ou a tentar colocar-se nos meus sapatos, sabes não tenho mesmo paciência, e portanto só certos eleitos terão a resposta sincera do que me vai na alma, e na pele, e se tenho ou não estômago para aguentar isto e aquilo. Trata-se mesmo de ser ou não sincero e muitas vezes não apetece sê-lo.

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    1. Compreendo o que dizes. Mas o "vou indo" é uma expressão tão portuguesa, carrega um "fado"... não simpatizo muito com ela. É verdade que nalguns momentos é o adequado para se usar, especialmente quando, como dizes não apetece ser sincero com quem não vale a pena. Obrigado por leres :)

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