Avançar para o conteúdo principal

Amor de infância

Algumas coisas cristalizam no tempo, os amores de infância são um exemplo disso.

Nunca mais se volta a sentir o que se sentiu com o primeiro amor, e não é pelo facto de sermos crianças, mas é também por isso. Quando somos pequenos, não temos bagagem nem referências que nos minem o espirito em relação ao outro. A pureza do que se sente, é inimitável. Amamos por amar, só por isso, sem constrangimentos e nem sequer conseguimos esconder.

E é profundo de tão puro que é, o amor no seu estado natural. O descobrir o que é o amor, o amor que se sente pelo outro só pela sensação que nos faz sentir. Tão limpo, tão límpido e tão saudável. Nada neste amor nos farará mal, é a primeira mostra de uma felicidade que ainda não conhecemos.

Acho que voltamos sempre a esta sensação quando precisamos perceber se amamos a sério a outra pessoa. Recuperamos a sensação genuína de um amor limpo de tudo o que o contamina quando crescemos, por instantes, somos aquela pessoa pequenina de coração limpo que recebe o amor como ele é, inteiro e pela primeira vez.

Vamos sempre sentir carinho por aquela pessoa, aquele/a que nos fez conhecer o amor pela primeira vez, fica guardado num lugar especial do nosso coração. Mesmo que não tenha sido reciproco, é só nossa a descoberta de uma sensação maior que tudo. O ponto zero do amor, que a partir dai começa a contar e a transformar-se com o crescimento do nosso corpo.

O amor nunca mais volta à forma inicial, nem nunca mais se repetirá da mesma maneira. Depois de o encontrarmos ou de esbarrarmos com ele, nunca mais nada será igual, isso é certo.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Não devemos voltar a onde já fomos felizes

Hoje acordei com esta expressão na minha cabeça: “não devemos voltar a onde já fomos felizes”. Sempre que penso nisto, e cada vez mais me convenço, que está completamente errada. Na prática, acho que a expressão tem a ver com pessoas e não com lugares. Não voltarmos a onde já fomos felizes, ou seja, não voltar para determinada pessoa. O local acaba por vir por acréscimo, já que as memórias não ficam dissociadas de situações, locais ou pessoas. Mas é sempre por aquela pessoa específica, que não devemos voltar atrás e não pelos  momentos felizes que se viveram naquela praia ou no sopé daquela montanha. É o requentado que não funciona… ou não costuma funcionar. Acredito que para algumas pessoas dê resultado, mas de uma forma geral, estar sempre a tentar recompor uma situação que não tem concerto, não tem mesmo solução! Mesmo quando existe muito boa vontade e uma boa dose de amor. Voltando aos locais, que é isso que me importa. A história reescreve-se as vezes que forem...

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga!

Não sei como funciona com o resto das pessoas, mas eu quando abuso o meu corpo arranja maneira de me dizer: basta! E foi isso que aconteceu… uma mega gripe, para ver se recupero o sono todo que não tenho dormido e uma bela crise de fígado para reajustar hábitos! Quando não se aprende a bem, aprende-se a mal. Achei que era importante falar sobre isto, porque quando se partilham experiências, normalmente descobre-se que não é um problema exclusivo ou uma coisa só nossa. Comigo funciona assim, eu sou do tipo de pessoa que acumula tudo muitas vezes sem exteriorizar… é defeito e feitio. E como 2013 tem sido um ano rico em situações complicadas, eu deixo para depois sentir na pele os efeitos diretos, porque no imediato tenho de agir para resolver, fica para mais tarde chorar ou rir se tiver de ser. Depois dá-se o colapso… Desta vez até foi ligeiro, mas não deixa de ser um aviso. No ano em que terminei o mestrado ai sim, os avisos foram marcantes. Quando a ansiedade se descontrola, tudo ...

Para a minha avó Rosa

Nesta foto estamos nós as duas.    A avó que sem saber já se estava a perder n a memória d o tempo e eu, que olho para ti e vejo a mesma de sempre, mesmo sabendo que já não eras.    As fotografias têm destas coisas, imortalizam os momentos. Este passado que se torna presente, todas as vezes que volto a recordar estas fotos. Nunca serão futuro apesar de registarem detalhes que farão parte do meu presente e futuro , sempre.    Devo confessar que revisitar as fotos da minha avó não me deixa triste nem evito fazê-lo. Sinto saudades dela, sim muitas, tenho inveja das netas por quem passo na rua de braço dado com as avós, tenho ! Queria poder fazer o mesmo, mesmo sabendo que o que vivemos foi bom. Foi nosso e apesar de não se repetir, já não se perde , e esse é um tesouro que valorizo.    Recordo as minhas avós todos os dias, a maior para das vezes de forma inconsciente e involuntária. Uma situação simples e corriqueira, leva-me a elas. Relembra-me m...