Avançar para o conteúdo principal

Miséria dos dias

Se o pensamento positivo atrai positivismo então miséria atraia miséria…
Não será assim?

É assim. Se tudo à nossa volta cai de podre, se as pessoas vivem mal com dificuldades, se vivem angustiadas, pobres na carteira e no espirito como se sobrevive assim? Como não ficar contagiado? Portugal está doente.

Se as células que compõem este corpo que é Portugal estão doentes, como pode o país ficar saudável?

Afundar ainda mais as pessoas em pobreza, miséria e falta de alternativa não é fazer o que é necessário, é precisamente o oposto! Como não se vê o óbvio?

Não se pode curar uma doença pela rama, tem de se ir ao fundo da questão. As pessoas precisam de ânimo e força anímica, não é cortar nos alimentos que lá se vai. Se ainda se vissem efeitos, mas não se vê nada. Salvam-se bancos e matam-se pessoas.

Escolhe-se injetar dinheiro no banco para salvar o banqueiro e deixam-se as poupanças da vida das pessoas, que não chegam a um mês da reforma do banqueiro, cair no vazio, sem se salvaguardar nada. Que pessoas são estas? Porque se decide sempre pelo dinheiro?

Temos cidades decrépitas, famílias que se destroem pela violência outras pela emigração, a fome que destrói tudo e todos. As condições de higiene que deterioram, pais que não comem para alimentar os filhos, animais que se abandonam por não ter como mantê-los, avós que ficam nos hospitais ou pelas ruas, jovens que não podem estudar porque não têm como pagar os livros e propinas, mulheres e homens que trabalham dias e noites sem ver os filhos crescerem, mulheres que não podem ter filhos não por não quererem mas por não poderem, políticos que se perdem com ninharias e que não sabem servir o interesse público porque estão apenas interessados no seu próprio bem.

Não é a economia que precisa de ser resgatada, é a alma da humanidade que precisa de salvação. As prioridades estão todas trocadas. A vida vale menos que uma moeda, só se descobrir que a alma é cunhada a ouro… ai acreditem, fariam tudo para nos sugar também isso. 

Comentários

  1. Pois é Sofia,
    Está tudo do avesso, mas pensar as coisas, e pensar no que queremos deve ser algo que cabe a todos nós.
    O mal dos portugueses é um mal à escala universal, não entendo realmente como é que chegámos a este estado de coisas, com a inversão completa de valores. É preciso falarmos disso, causar o desconforto e disseminar a dúvida tem mesmo de ser assim? Isto é inevitável?

    O pior é que quando perguntamos a um, e a outro e a outro, o que fariam na prática, o que estariam dipostos a fazer para a mudança, teriamos poucos a referir o que é que realmente fariam, e dos que respondessem, quando lhes colocassemos a pergunta e daqui a 6 meses achas que conseguirias manter essa mudança teriamos novamente uma minoria a responder sim. Mas é dos que se mantém, daqueles que mantém o rumo na crença de que mudar é essêncial e que é possível, que surge a mudança prática, a mudança dos costumes a mudança das ideias, a mudança de paradigmas. _o/

    Beijinhos,
    Bruno

    PS: banda sonora (não pq esteja ligada ao tema mas pq estava a escutar esta musica enquanto escrevia a resposta) para o post.

    https://www.youtube.com/watch?v=-bAJM3vGl5M

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Não devemos voltar a onde já fomos felizes

Hoje acordei com esta expressão na minha cabeça: “não devemos voltar a onde já fomos felizes”. Sempre que penso nisto, e cada vez mais me convenço, que está completamente errada. Na prática, acho que a expressão tem a ver com pessoas e não com lugares. Não voltarmos a onde já fomos felizes, ou seja, não voltar para determinada pessoa. O local acaba por vir por acréscimo, já que as memórias não ficam dissociadas de situações, locais ou pessoas. Mas é sempre por aquela pessoa específica, que não devemos voltar atrás e não pelos  momentos felizes que se viveram naquela praia ou no sopé daquela montanha. É o requentado que não funciona… ou não costuma funcionar. Acredito que para algumas pessoas dê resultado, mas de uma forma geral, estar sempre a tentar recompor uma situação que não tem concerto, não tem mesmo solução! Mesmo quando existe muito boa vontade e uma boa dose de amor. Voltando aos locais, que é isso que me importa. A história reescreve-se as vezes que forem...

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga!

Não sei como funciona com o resto das pessoas, mas eu quando abuso o meu corpo arranja maneira de me dizer: basta! E foi isso que aconteceu… uma mega gripe, para ver se recupero o sono todo que não tenho dormido e uma bela crise de fígado para reajustar hábitos! Quando não se aprende a bem, aprende-se a mal. Achei que era importante falar sobre isto, porque quando se partilham experiências, normalmente descobre-se que não é um problema exclusivo ou uma coisa só nossa. Comigo funciona assim, eu sou do tipo de pessoa que acumula tudo muitas vezes sem exteriorizar… é defeito e feitio. E como 2013 tem sido um ano rico em situações complicadas, eu deixo para depois sentir na pele os efeitos diretos, porque no imediato tenho de agir para resolver, fica para mais tarde chorar ou rir se tiver de ser. Depois dá-se o colapso… Desta vez até foi ligeiro, mas não deixa de ser um aviso. No ano em que terminei o mestrado ai sim, os avisos foram marcantes. Quando a ansiedade se descontrola, tudo ...

Nirvana no dramático de Cascais

Apropriado para esta semana, em que fui ver o documentário sobre a vida do Kurt Cobain.  Fiquei a entender porque se apresentou em Cascais completamento apático. O concerto aconteceu a 6 de Fevereiro 1994 e o Kurt cometeu suicídio a 5 de Abril do mesmo ano. Não devia estar no auge do contentamento... No palco esteve apenas para fazer o que lhe competia com nenhuma interacção com o público. Apenas cantou e tocou, sem dirigir uma única palavra ao público presente. Na altura achei aquilo demais, e fez-me gostar menos de todo o concerto. Só que eram os Nirvana e a eles tudo se perdoa. Recordo do meu pai me dizer: "olha aquele tipo que foste ver no outro dia, morreu. Estava a dar nas noticias." Acho que nem fiquei surpreendida, talvez suspeitasse que seria o desfecho lógico.  Sempre achei que o Kurt Cobain era um homem denso, profundo e melancólico e comprovou-se com o documentário.  Não iria dar para viver mais do que foi. A vida não foi fácil para o Kurt, um tip...